
6/12/2012 @ 19:48
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Um dia tu vais compreender que não existe nenhuma pessoa totalmente má, nenhuma pessoa completamente boa. Tu vais ver que todos nós somos apenas humanos. E sofrerás muito quando resolveres dizer só aquilo que pensas e fazer só aquilo que gostas. Aí sim, todos te virarão as costas e te acharão mau por não quereres entrar na ciranda deles, compreendes?
— Limite branco, (Caio Fernando de Abreu). (via poetizador)

6/12/2012 @ 19:47
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Repara bem no que não digo.
— Paulo Leminski (via capitule)

5/12/2012 @ 15:46
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Às vezes a gente tem que quase morrer pra conseguir se manter vivo.
— Sabedorias. (via capitule)

5/12/2012 @ 15:46
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Eu não sou o teu melhor lado, sei disso. Nem só o meu melhor lado é teu, você também sabe. Quando a gente ama uma pessoa e nos tornamos ela – ou dela – funciona mesmo assim. Sou tua inteira. Completa. Eu com o meu jeito arrogante, ignorante, chato, estérico, birrento, mimado, irritante, cabeça dura, ciumento, teimoso e todo o resto não tão agradável, sou tua. Eu com o meu jeito engraçado, romântico, carinhoso, cuidadoso, manhoso, compreensivo, paciente, sincero e todo o resto que encanta qualquer um, sou tua. Até quando eu não quero ser, me torno. Por isso, eu digo: eu minha sou tua. E eu tua, não quero ser de mais ninguém.
— Plenitude. (via embriagar-se)

5/12/2012 @ 15:35
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Liguei o rádio. De início, começou a tocar uma música super bizarra e barulhenta. Eu procurava algo calmo e sereno pra combinar com o começo do dia sonolento. Então, mudei a estação. Agora, parada no sinal vermelho, começa a tocar A Banda Mais Bonita da Cidade. No mesmo instante, lembro que foi você quem me fez gostar dessa banda. Ou melhor, dessa música. O toque eu conheço de longe, mesmo estando a dois quarteirões e meio ou a milhas e milhas de quilômetros. A música se chama “Oração”. Uma das mais belas melodias que já ouvi, confesso. Meus dedos, assim que posicionados para, outra vez, mudar a estação do rádio, recuam. Algo me fez hesitar e embarcar no timbre da voz do cantor - que, por sinal, acabei esquecendo até o nome - e balbuciar as primeiras letras musicais. É incrível como seis segundos de música boa consegue nos retirar da realidade. O motorista do carro de trás buzina alto e coloca a cabeça pra fora aos berros dizendo que o sinal ficou verde. Meu senhor, será que você nunca escutou uma música que lhe lembrou alguém importante e viu o tempo parar? Bem, se a resposta for não, eu sinto muito. É algo fantástico. Um pouco doloroso também, admito, mas nada que compense relembrar momentos que já nos fizeram feliz. Piso fundo no acelerador e resolvo mudar o caminho do trabalho. Depois eu invento uma desculpa, enrolo o meu chefe ou sei lá. Agora, inexplicavelmente, eu me encontro vivendo novamente um passado que não volta mais. Que não voltou nunca.
(Meu amor, essa é a última oração pra salvar seu coração.)
Não sei se é a última. Ou a penúltima. Ou a anti-penúltima. Lembro que da última vez eu havia jurado ser, de fato, a última vez. Não foi, eu sei. Afinal, estou de novo aqui, remoendo memórias que não se quebram nunca. A única coisa que me resta é colocar a culpa no rádio. Porque diabos, dentre todas as trezentas bilhões de músicas existente, tocar justamente essa? E pior: tocá-la justamente quando eu vou ouvir? Há algo no mundo que me impede enlouquecidamente de seguir a minha vida pra frente sem você, não é possível. Sempre existe um momento, um olhar, uma conversa ou uma casualidade que me remete de volta àqueles tempos. Nossos tempos. Tempos onde todas as músicas tocadas na rádio, no MP3, no celular ou em qualquer outro lugar, eram ótimas. Tudo era ótimo porque tudo era nós dois. Droga! Lá vou eu, outra vez, falando em nós. Isso não era pra ser um dia nostálgico. Assim como eu não era pra estar cantando o refrão dessa maldita música, com os olhos fechados e o coração na ponta da língua. Eu juro que, por uma mínima fração de segundos, quase pude sentir você. E a sua voz doce se misturar junto com a minha, emboladas, arrastadas e roucas na mesma estrofe.
(Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa. Cabe o meu amor.)
Mentira - eu digo, dessa vez em voz alta. Algo fugiu do controle e pulou as barreiras do meu pensamento. Qual o número do tal alguém que colocou essa frase falsa no meio do enredo? Meu amor, ao contrário do que foi citado, não cabe no coração. Nem na dispensa. Nem no guarda-roupas, no jardim ou debaixo do tapete da sala. Meu amor não cabe em mim e, exatamente por isso, eu jorro ele através de filmes, músicas, fotos, lembranças. Eu queria, de verdade, poder juntar todos os bocados de amores que deixei no caminho e guardá-los em uma caixinha onde ninguém ruim - ou bom - irá encontrar. Cansa essa história de ter tanto amor dentro do peito e não saber onde colocar. Dói mais ainda quando não se tem outro peito pra dividir esse amor. É nessas horas que passa pela minha cabeça uma vaga lembrança do seu sorriso. Eu juro, de todas as coisas do mundo, tudo o que eu mais queria era que fosse você quem estivesse sentado no banco do passageiro, rindo, colocando a sua mão esquerda sobre a minha mão direita e dizendo coisas como esse-momento-nunca-vai-ter-fim. Mas o assento está vazio, assemelhando-se ao meu interior. A música parece não ter mais fim, também. Mas uma coisa - a pior delas - teve fim: nós.
(Cabem três vidas inteiras. Cabe uma penteadeira. Cabe nós dois.)
Outro erro imperdoável em menos de quatro segundos. A gente não cabe nesse texto. A gente não cabe na música. A gente, definitivamente, não cabe um no outro. Porque a gente é grande demais pra caber em qualquer coisa. E qualquer coisa sempre é pequena demais pra descrever a gente. Tirando o fato de que o seu número e o seu endereço não são mais os mesmos, não sei exatamente como te fazer ouvir o meu grito de desespero. Por Deus, era só uma música. Seis estrofes e nada mais. O problema, meu bem, é que não é só você. Você nunca é apenas “isso”. Você é tudo. E é esse tudo que machuca, dói e faz arder a ferida antes fechada. Por fim, as lágrimas começam a fazer o caminho do meu rosto pela centésima vez em apenas duas semanas. Acabo, enfim, entregando os pontos. Me debruço sobre o volante e choro ininterruptamente por uns 15 ou 20 minutos. Refaço o caminho de volta pra casa, enquanto as últimas cifras da música são cantaroladas no radio. Tudo fica mudo. Eu fico muda. Mas o meu coração ainda grita o seu nome.
(Meu amor, essa não é a minha última oração.)
— Capitule, O Rádio. (via capitule)